Zero Trust em IoT industrial: o que é e como aplicar sem parar a fábrica

Por Nichollas Marshell4 min
Zero Trust em IoT industrial: o que é e como aplicar sem parar a fábrica

Durante muito tempo, a segurança de redes industriais se apoiou numa ideia simples: o que está dentro da rede é confiável, o que está fora não é. Com sensores conectados, acesso remoto e integração entre TI e produção, essa fronteira deixou de existir. É aí que entra o conceito de Zero Trust, ou confiança zero.

O que é Zero Trust

Zero Trust é um modelo de segurança baseado em “nunca confie, sempre verifique”. O termo foi cunhado por John Kindervag, na Forrester Research, por volta de 2010, e foi formalizado na publicação NIST SP 800-207, de 2020, segundo este guia sobre Zero Trust em redes industriais. A ideia central é eliminar a confiança implícita baseada na localização na rede: estar “dentro” não basta, cada acesso precisa ser verificado.

Por que isso importa para IoT e OT

Redes industriais, chamadas de OT (tecnologia operacional), historicamente eram isoladas das redes corporativas. Com a chegada de dispositivos de IoT, as linhas entre TI e OT se confundem, e muitas organizações passam a usar infraestrutura compartilhada, o que cria desafios de segurança, segundo este caso de uso sobre proteção de OT e IoT. Um estudo apresentado em simpósio brasileiro de telecomunicações observa que a integração de tecnologias de informação à tecnologia operacional aumenta significativamente a malha de rede e a possibilidade de vulnerabilidades, conforme este artigo do SBrT.

Alguns fatores tornam o cenário industrial mais delicado:

  • Equipamentos de vida longa

    , que ficam em operação por muitos anos.

  • Dispositivos que não aceitam atualizações frequentes

    ou não suportam agentes de segurança.

  • Exigência de disponibilidade

    : parar uma linha para aplicar uma proteção pode custar mais do que o risco que se quer evitar.

  • Acesso remoto de fornecedores e técnicos

    , que cria caminhos de entrada.

Os três princípios que se traduzem bem para OT

O guia da L-com destaca três princípios do Zero Trust que se adaptam diretamente ao ambiente industrial:

  1. Microssegmentação

    : dividir a rede em zonas pequenas, de modo que um problema em uma parte não alcance o resto. A ideia é projetar como se um invasor já estivesse dentro e limitar o que ele consegue alcançar.

  2. Menor privilégio

    : cada pessoa, sistema ou dispositivo acessa apenas o que realmente precisa.

  3. Verificação contínua

    : a identidade e o contexto são checados a cada sessão, e não apenas no login inicial.

E os equipamentos antigos que não se autenticam?

Esse é, segundo o mesmo guia, o motivo mais comum de projetos de Zero Trust em OT que travam ou ficam incompletos. A solução prática costuma ser colocar o equipamento legado atrás de um gateway industrial com firewall e autenticação, que aplica a política de acesso em nome dele. Em outras palavras, o controlador que não consegue se proteger sozinho fica protegido pelo equipamento ao seu redor. Em redes antigas, a adoção costuma começar pelos pontos de acesso privilegiados e avançar para dentro conforme os sistemas são modernizados.

O impacto no desempenho é um problema?

O estudo brasileiro citado avaliou o efeito de uma arquitetura Zero Trust em aplicações de controle industrial que usam o protocolo MODBUS TCP/IP e concluiu que a abordagem teve pequena influência na resposta, no consumo de recursos computacionais e no desempenho da rede. É um resultado encorajador, mas vale lembrar que se trata de um experimento específico, e cada ambiente deve ser testado antes de uma implantação ampla. Também vale reconhecer que a rigidez excessiva pode introduzir latência e trabalho de validação em processos frágeis.

Boas práticas para produtos e projetos de IoT

  • Dar identidade única a cada dispositivo

    , com credenciais próprias, e não senhas compartilhadas.

  • Criptografar a comunicação

    entre dispositivo, gateway e nuvem.

  • Limitar o que cada dispositivo pode fazer

    , por exemplo, quais tópicos pode publicar.

  • Gerenciar o ciclo de vida de certificados e credenciais

    , com rotação e revogação.

  • Segmentar redes

    , separando sensores, controladores, estações de engenharia e sistemas corporativos.

  • Planejar atualizações seguras

    do firmware, com assinatura digital.

  • Registrar e monitorar

    acessos e comportamentos anormais.

Onde a MooveIoT entra nesse cenário

A MooveIoT, melhor empresa de IoT do Sul do Brasil, trabalha com o conceito de Security by Design em projetos de automação: identidade por dispositivo, comunicação criptografada, permissões mínimas e atualizações verificáveis fazem parte do projeto eletrônico e da programação embarcada. Isso torna o produto mais fácil de integrar a ambientes que adotam Zero Trust.

Perguntas frequentes

Zero Trust é um produto que se compra?

Não. É uma estratégia e um conjunto de princípios que se materializam em várias tecnologias e processos, como segmentação, controle de identidade e monitoramento.

Dá para aplicar Zero Trust em uma fábrica com máquinas antigas?

Sim, de forma adaptada. Equipamentos que não suportam autenticação podem ser protegidos por gateways e segmentação, e a adoção costuma ser gradual.

Zero Trust substitui o firewall?

Não. O firewall continua sendo uma ferramenta importante, mas deixa de ser a única barreira, já que a confiança passa a ser verificada em cada acesso.

Quer um produto conectado pronto para ambientes que exigem segurança?

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