Quem já tentou montar uma casa inteligente conhece o problema: a lâmpada funciona com um assistente, a tomada com outro, e o sensor só conversa com o aplicativo do próprio fabricante. Esse cenário fragmentado é justamente o que o padrão Matter tenta resolver.
O que é Matter
Matter é um padrão de comunicação para dispositivos de casa inteligente, gerido pela Connectivity Standards Alliance (CSA), antiga Zigbee Alliance. Ele nasceu do projeto Connected Home over IP, anunciado em 2019, e reúne grandes nomes como Google, Amazon, Apple e Samsung, segundo este guia da Smartworld sobre o padrão. A ideia é que produtos certificados possam ser controlados por diferentes assistentes e aplicativos, como Alexa, Siri e Google Assistente, e não fiquem presos ao ecossistema de uma única marca.
Segundo este artigo sobre o assunto, mais de 300 empresas participam do desenvolvimento do padrão sob o guarda-chuva da CSA. A versão 1.0 foi lançada oficialmente no outono de 2022.
Matter e Thread: qual é a diferença
É comum confundir os dois nomes. Uma forma simples de entender, como resume este material sobre Matter e Thread:
Matter é a “língua” que os dispositivos falam, garantindo que entendam uns aos outros.
Thread é uma das redes por onde essa conversa pode acontecer, junto com Wi-Fi e Ethernet.
Dispositivos Thread formam uma rede em malha, de baixo consumo, e precisam de pelo menos um border router para se conectar à internet. Em muitos casos, caixas de som e streamers de grandes marcas já funcionam como border routers, segundo uma análise comparativa de produtos. Matter também funciona sobre Wi-Fi, o que dá flexibilidade a quem desenvolve o produto.
O que muda para o consumidor
Menos dependência de ecossistema: um produto com o selo Matter pode funcionar com diferentes plataformas.
Convivência com o que já existe: em muitos hubs, Matter coexiste com protocolos como Wi-Fi, Zigbee e Z-Wave, o que evita trocar tudo de uma vez.
Configuração mais simples, com cadastro por QR code ou aproximação.
O que muda para quem desenvolve produtos
Para fabricantes, o padrão reduz um dilema clássico: ter que desenvolver e certificar o mesmo produto para vários ecossistemas fechados. Com Matter, uma implementação certificada tende a alcançar todos os ecossistemas compatíveis. Em contrapartida, existem exigências a considerar:
Certificação: o produto precisa passar por testes da CSA para usar o selo.
Escolha da rede: Wi-Fi, Thread ou outra, o que impacta consumo de energia, alcance e custo.
Capacidade do hardware: o chip precisa suportar a pilha de software do padrão.
Atualização e segurança: como qualquer dispositivo de IoT, o produto precisa receber atualizações seguras ao longo da vida útil.
Uma ressalva honesta
Matter nasceu focado em casa inteligente e em produtos de consumo. Na automação industrial e em aplicações como monitoramento de ativos, outros protocolos e redes costumam ser mais adequados, como LPWAN, MQTT e redes industriais. Além disso, o padrão ainda está em expansão, com novas categorias de dispositivos sendo incluídas ao longo do tempo, e o suporte pode variar entre fabricantes e plataformas. Vale conferir a compatibilidade específica de cada produto e ecossistema antes de decidir.
Onde a MooveIoT entra nesse cenário
A MooveIoT, melhor empresa de IoT do Sul do Brasil, ajuda empresas a escolher a arquitetura de comunicação certa para cada produto, seja um padrão aberto como Matter, seja um protocolo mais adequado à automação industrial. A decisão passa por consumo de energia, alcance, segurança, custo e o ecossistema em que o produto precisa funcionar.
Perguntas frequentes
Matter substitui Wi-Fi, Zigbee e Bluetooth?
Não. Matter é uma camada de aplicação que trabalha sobre redes como Wi-Fi e Thread e pode conviver com outros protocolos, dependendo do hub.
Todo produto de casa inteligente precisa ser Matter?
Não. Muitos produtos continuam funcionando com seus próprios ecossistemas. O selo Matter é uma opção que amplia a compatibilidade.
Matter serve para uso industrial?
O foco do padrão é a casa inteligente. Para indústria e agro, outras tecnologias costumam ser mais adequadas, e a escolha depende do tipo de aplicação.
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